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Arquivo do mês: março 2011

Ajuda?

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Email para a Câmara sobre Bolsonaro. Mande também!

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Mensagem enviada para a a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar cobrando providências sobre a atitude racista do Deputado Jair Bolsonaro. Faça isso também, mande para esta comissão que eu enviei cedpa@camara.gov.br, ou para a Comissão de Direitos Humanos: cdh@camara.gov.br:

O Deputado Jair Bolsonaro (PP), no dia 28 de março, declarou que a possibilidade de ter uma nora negra seria promiscuidade, ou seja, disse que as relações inter-raciais são promiscuidade. A declaração foi dada no programa CQC, da TV Bandeirantes. Como cidadão, cobro que esta casa abra um processo por quebra de decoro parlamentar e faça a cassação do deputado, visto que o racismo configura-se um crime, conforme a Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989.

http://www.planalto.gov.br/ccivil/Leis/L7716.htm

Segue o vídeo com a declaração:
http://www.youtube.com/watch?v=Yw74RtoZE_I
Desde já muito obrigado,
Gabriel de Barcelos Sotomaior- Jornalista Campinas-SP

RG-    CPF-

Por falar nisso….

Vale a pena ver estas tiras do cartunista Laerte, com a personagem Muriel e outros, falando sobre o tema da homofobia:

http://murieltotal.zip.net

Ela chorou na avenida

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Gabriel de Barcelos

A escola atrasou. Nem o carro Encantos da Mata Atlântica, nem a ala das Bromélias vão mais desfilar. Não podemos estourar o tempo e perder pontos.

A informação veio de um sussurro no ouvido. Ela não quis acreditar quando ouviu.

Primeiramente, tirou a parte de cima da fantasia de Bromélia. Pensou paralisada, mas teve logo que sair. A ficha foi forçada a cair: não vou mais desfilar.

Se uma primeira lágrima caiu, não era de se surpreender. Se estava garoando e ela estava suada, ninguém perceberia.

Era doméstica, vendedora, esposa, mãe, preta e alta. Naquela noite  só queria ser Bromélia.

Dia cinco de dezembro briguei com o marido para ir no ensaio. Tive que levar o Lucas. Briguei também no dia doze. Expectativas, máquinas de costura, brilhos… Saída mais cedo do trabalho.

Não esconde mais nada. A câmera da TV filma ali perto. Começa a soluçar. Não tem mais samba no pé.

Que merda de vida! Por que aconteceu justo com a gente?

Se tudo estava muito ruim na vida dela, depois valeria a pena.. Leci Brandão canta “não perturbe a sua vida, Carnaval já vem aí”. Mas tudo estava acabado….acabado….”vou brincar com o povo na avenida, descobrindo o que não vi.”

O patrão filha-da-puta, as três horas de trem e ônibus… tudo era suportado pensando no desfile. Quero ir embora! Quero beber!

Ela chora o choro mais triste do Carnaval. A cachaça que lhe havia dado alegria para entrar na avenida, agora bate como melancolia. Senta no chão.

Mesmo que colorida e moderna fosse a sua fantasia, pensou na tristeza de um samba antigo. Não quer mais embora, mudou de ideia. Fica lá, até o fim.

O outro cara

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Marcelo, você foi maravilhoso, tudo o que vivemos juntos foi lindo. Mas, infelizmente, estou saindo com outro cara. Quem sabe um dia, no futuro não nos reencon…..


O outro cara é branco, tem olhos azuis, cabelo crespo, é preto de lábios grossos, com cachos loiros. É preto, amarelo, azul e magenta. Além do mais é alto, camelô e publicitário, moreno de estatura mediana e faz bicos como gerente de produção. É velho demais para ela, é feio e palmeirense, é virginiano, capricorniano e canceriano, filho de Iansã, Shango e Iemanjá. Um bom partido, um fedelho que parece seu irmão mais novo, existencialista e vascaíno, marxista com covinhas. É um reacionário que defende pena de morte, porém é progressista e luta pelos camponeses e contra a redução da  maioridade penal. Adora olhar o mar e comer sonhos, rosquinhas, caviares, lagostas, mãos de bebês, mas ama jogar as peladas na várzea de Madureira depois de fazer os cursos-livres de filosofia. Quer se casar, ter cinco filhos, vivendo para sempre sem compromisso, viajando o mundo, dormindo com uma mulher em cada porto. É bom de cama, sabe dançar, desajeitado como uma criança, entretanto adora consertar coisas. Brocha constantemente e não se interessa tanto por sexo, dormindo e roncando toda vez. É forte, corpo definido, baixinho, meio curvado e flácido, porém adora picolé e fazer cosquinhas. Bonito como um galã dos anos 50. É sério demais, mas faz piadas para todo mundo rir. Como gosta de aparecer este imbecil! É sem dúvida um cidadão admirável, irreparável, não há defeitos, fora aquele fato de participar do desvio público de merendas escolares, mas, por outro lado, ele ajuda velhinhas num asilo. É um cristão respeitador, apesar de um ateu chato e crítico e ainda gosta de ouvir Lenine. Entretanto sabe como ninguém de literatura, halterofilismo, aeromodelismo e culinária. Por sinal, o fato de ser vegetariano não o impede de ir todos os domingos na Churrascaria Chuletão do Oeste. É quadrado, redondo, quente, morno, entortado, certo, quadrilátero, safado, canalha, gente boa, simples, uma coisa legal, nem tanto, as vezes, nunca sempre, um cara, um outro cara, um outro cara….

Mas o outro cara tem um defeito, um defeito pior que qualquer outro: o outro cara não sou eu

Gabriel de Barcelos

Adeus Liz!

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Liz Taylor fabulosa em Quem tem medo de Virgínia Woolf ? Perfeita! Junto com Richard Burton e o outro casal que até hoje se arrepende de ter entrado naquela casa.

Cadeado

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Maria do Rosário Pitangueira do Amaral

Diário de Viagem–  Caldas Novas, 15 de dezembro de 2010

Desde a minha querida mocidade não escrevo diários e pensei ser este momento perfeitamente propício para fazer um relato “de bordo” desta viagem. Não acredito que a atividade seja exclusividade das moças.

É verdade que eu não queria, de forma alguma, sair de casa. Há quinze anos eu não saio de Campinas. Desde bem antes da morte de meu marido Gilvan, com quem viajava regularmente num passado distante. Será que precisaria falar esta informação? Acho que não, ora bolas! Afinal falo apenas comigo mesma nestas letras. Não tenho certeza se gostaria que alguém lesse isso.

Mas vamos voltar ao assunto. Marlene insistiu de forma compulsiva. Da mesma forma fizeram médico, terapeuta, porteiro. Todos parecem que se juntaram num grande “complô”. Será que eles temem que eu morra de tristeza? Tento explicar que vivo bem, em paz comigo mesma, com Deus e o Espírito Santo. Tenho minha rotina, tenho minha paz.

Mas, enfim, Marlene achou por bem comprar as passagens para a excursão num resort em Caldas Novas. Cá estou eu, agora. A viagem foi muitíssimo cansativa! Que raiva pagar caro nestas paradas de ônibus, para comer umas comidas mal feitas e sem tempero! Deveria ter trazido uma marmitinha de casa.

Mas isso foi ontem, dia quatorze de dezembro. Hoje, dia quinze, fizemos as atividades do nosso grupo. Uns exercícios, passeios, banhos de piscina. O local é bem agradável. Os rapazes e moças que ajudam são simpáticos. À noite tivemos um Baile da Saudade. Um senhor elegante, de nome José, convidou-me para dançar. Pestanejei na hora, afinal, a última vez que havia dançado tinha sido com Gilvan. O senhor José realmente se vestia muito bem. Lembrei como no passado Gilvan se vestia bem e como dançava como um cavalheiro. Nos últimos anos o Alzheimer lhe tirou o charme, a dança e a elegância. Não me conformava, inicialmente, com o fato dele não saber mais escolher um bom terno e de se perder nos passos de dança. Depois, via que não diferenciava mais pijamas e roupas furadas de roupas para passeio. Pouco antes da sua morte, por Câncer, prefiro não lembrar do grande esforço de cuidar daquele que não mais me reconhecia, saindo para as ruas, constantemente, procurando pela mãe. Ou mesmo que me exigia banhos de caneca, semelhantes aos dados na infância dele, na fazenda.

Mas falávamos do senhor José, que me conduziu numa valsa vienense cheio de galanteios, mas com respeito e cavalheirismo. Ontem, ao nos despedirmos, José convidou-me para uma caminhada matinal. Eu aceitei. Penso que ele poderá ser um bom amigo, pois mora no Centro, assim como eu, e podemos visitar um ao outro sempre. Seria ótimo mesmo sermos amigos, acho que nada além disso. Que bobeira pensar em algo diferente, já estou por demais velha para isso. Ai minha Nossa Senhora! Eu havia dito no início sobre o diário de moças e estou escrevendo como elas sobre namoricos e bobeiras assim! Ainda lembro hoje como escrevia sobre George, um ruivo, filho de imigrantes ingleses. Ele sentava na carteira ao lado, entretanto, nunca nem olhou para mim. Talvez nem saiba meu nome até hoje, se estiver vivo. Que bobeira pensar essas coisas agora. Acho que vou colocar cadeado no meu diário de viagens, como os diários de moças. Que gozado!

Vamos dormir então Maria do Rosário?

Tomara que amanhã faça um belo sol! Acho que já estou começando a ficar mais animada. Estou preocupada com minhas plantas e as outras coisas de minha casa, mas acho que poderei me divertir nesse passeio. Até amanhã querido diário…

Gabriel de Barcelos

Para conhecer outros contos:

https://sessao.wordpress.com/2010/12/18/breve-resumo-da-breve-historia-do-sessao/

Quero

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Quero

Quero de você a mais pérfida paz

a mais perigosa pista

o maior passo

peço

peço


Quero de você o instante único

o importante e mudo

o constante e surdo


Quero morrer de tesão

trazer o tempo eterno

ter tudo, torpor, tara

 

Mas quero carinhos

cartas,

quereres

quero

quero

 

Não quero me casar

Não quero te castrar

 

Quero gostar com você

gozar com você

ganhar com você

 

Quero peles,

sorrisos, carinhos, vozes, sotaques

tempos perdidos, sorrisos, besteiras e genialidades

 

Gabriel de Barcelos


Canto do Rio em Sol e Estrela do Mar

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Canto do Rio em Sol, de Drummond, recitado por Chico Buarque, seguida da bela música Estrela do Mar. Simplesmente maravilhoso!

Canto do Rio em Sol

I

Guanabara, seio, braço
de a-mar:
em teu nome, a sigla rara
dos tempos do verbo mar.

Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar:
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.

Guanabara, saia clara
estufando em redondel:
que é carne, que é terra e alísio
em teu crisol?

Nunca vi terra tão gente
nem gente tão florival.
Teu frêmito é teu encanto
(sem decreto) capital.

Agora, que te fitamos
nos olhos,
e que neles pressentimos
o ser telúrico, essencial,
agora sim és Estado
de graça, condado real.

II

Rio, nome sussurrante,
Rio que te vais passando
a mar de estórias e sonhos
e em teu constante janeiro
corres pela nossa vida
como sangue, como seiva
— não são imagens exangues
como perfume na fronha
… como pupila do gato
risca o topázio no escuro.
Rio-tato-
-vista-gosto-risco-vertigem
Rio-antúrio

Rio das quatro lagoas
de quatro túneis irmãos
Rio em ã
Maracanã
Sacopenapã
Rio em ol em amba em umba sobretudo em inho
de amorzinho
benzinho
dá-se um jeitinho
do saxofone de Pixinguinha chamando pela Velha Guarda
como quem do alto do Morro Cara de Cão
chama pelos tamoios errantes em suas pirogas
Rio, milhão de coisas
luminosardentissuavimariposas:
como te explicar à luz da Constituição?

III

Irajá Pavuna Ilha do Gato
— emudeceram as aldeias gentílicas?
A Festa das Canoas dispersou-se?
Junto ao Paço já não se ouve o sino de São José
pastoreando os fiéis da várzea?
Soou o toque do Aragão sobre a cidade?

Não não não não não não não

Rio, mágico, dás uma cabriola,
teu desenho no ar é nítido como os primeiros grafismos,
teu acordar, um feixe de zínias na correnteza esperta do tempo
o tempo que humaniza e jovializa as cidades.
Rio novo a cada menino que nasce
a cada casamento
a cada namorado
que te descobre enquanto rio-rindo.
assistes ao pobre fluir dos homens e de suas glórias pré-fabricadas.

Carlos Drummond de Andrade

Motorama

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A revista Set, (na época em que ainda prestava), tinha uma sessão do tipo: “Filmes que ficam esquecidos na estante da locadora”. Em algum momento, entre meados e fim dos anos 90, eu vi um artigo sobre o filme “Motorama”. Eu lembro que a história me fascinou para caramba e eu vinha procurando (sem sucesso) o filme, desde então.

Trata-se do menino de 10 anos, que rouba o conversível dos pais e parte para a estrada, tentando conseguir todas as letras da palavra MOTORAMA, num jogo que teria como prêmio 500 milhões de dólares. Mas, no caminho, ele enfrenta diversos problemas e desgraças, como um velho que lhe tira uma visão, o abuso de motoqueiros que lhe tatuam o braço à força, além de ter que fugir da polícia. É um road movie underground, com toques surrealistas. Simplesmente delicioso!

Agora finalmente consegui achá-lo na íntegra, no You Tube.  Não tem legenda, mas dá para entender muita coisa, pois é tudo bem visual. Mas, se alguém conseguir baixar com legenda, me passe  heheh.

Aproveitem o bom filme (e esqueçam o bom senso, por favor!). As outras partes estão na sequência do link…

Circuito de Vídeo Popular

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O Circuito de Vídeo Popular busca apresentar uma rede alternativa de exibição, fora dos espaços comerciais, proporcionando uma rede de novos espaços. Além de São Paulo, começaremos, nesta semana, em Campinas, com a exibição de Qual centro? e Fuleiro Circo. Todos convidados!

 

Veja a programação e sinopses:

circuitovideopopular