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nuvem

deitado na rede, vejo a mais bonita nuvem que já olhei. parece Antártida, parece cinza, parece teto de igreja, parece sólida. sem acreditar nas bobagens do padre, penso que poderia subir lá e alcançar o firmamento. se é tão bonito, por que não poderia ser verdade?

*

deitado na rede, lembrei de você. tô fumando o mesmo palheiro que você gosta. deitada ao meu lado, aqui, disse-me que não poderíamos ser namorados. você perguntou se poderíamos ser melhores amigos. eu disse que não.

outro dia indagaram-me se ainda te amo. eu disse em gerúndio: “estou desamando”

pensei no amor que me mataria e rasgaria depois que você abriu o portão e saiu. hoje você, que era essencial até para esperar um ônibus, pra virar a página de um livro, é imagem desfocando. até virar borrão. até não ser mais imagem.

e o que vivemos, viverá no esquecimento, migrará para a dimensão paralela onde estão as chaves, os isqueiros, as canetas…

*

chove.

seis da tarde ando pelo calçadão da 13 de maio. as lojas vão fechando

uma atrás da outra, no caminho.

ave maria dos comerciários!

 

e o evangélico, pregador de rua

pára por um segundo,

olha nos meus olhos

e me diz que eu poderia ser salvo.

 

o chão

molha minha meia

e eu

tiro a chuva fina da minha testa.

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