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Fundamentalismo e a direita brasileira: um projeto político

Publicado em

marco feliciano

O Governo julga vantajosa a aliança com os fundamentalistas pentecostais e neopentecostais. Considera algo necessário para a conquista de sua tão defendida maioria política e base eleitoral. Isso não está longe da verdade e o executivo não vê problemas em sacrificar o Estado Laico e os direitos humanos para conquistar os seus objetivos. O que eles não percebem é a força do monstro que alimentam a cada dia. Os protestantes citados  são o único grupo que faz, massivamente, o trabalho de base que a esquerda abandonou, além de crescerem a cada dia no Congresso e na mídia. Pesquisas projetam um futuro não tão distante onde eles serão a maioria na escolha religiosa dos brasileiros. Isso tudo reflete claramente um projeto político de poder por parte dos setores mais conservadores. Lula e Dilma ainda têm enorme capital eleitoral, que provavelmente redundará em êxitos futuros. Mas, logo, logo, os pentecostais e neopentecostais fundamentalistas serão muito maiores do que o próprio PT, Lula ou Dilma, momento em que não precisarão mais da estrela vermelha onde se apoiam. Neste instante, entraremos num Estado Teocrático e será tarde demais.

Me parece que a maior parte da direita brasileira mudou de estrategia. No lugar do combate direto, entraram para a situação e conseguem grande poder de barganha. O maior representante disso é o PSD, dissidência do DEM capitaneada por nomes como a ruralista maior Kátia Abreu.  O objetivo mais aparente são as conquistas imediatas, como a ampla expansão do latifúndio, passando por cima de indígenas, camponeses e do meio-ambiente. Junto à burguesia rural, podemos citar o amplo grupo de mega-empresários envolvidos nos grandes projetos do Governo e financiadores de campanha (tendo como grande símbolo o apadrinhado do Estado, Eike Batista).  Mas podemos nos arriscar a entender esta esperta entrada no Governo dentro de um complexo jogo hegemônico, onde a direita usa uma estratégia de conquista de todas as instâncias de poder.

Na eleição vencida por Dilma, todos devem lembrar da forte presença de Silas Malafaia empunhando suas bandeiras conservadoras no que seria a “ameça” da vitória petista. Enquanto o pastor permanece em seu enfrentamento na oposição, outros colegas seus escolheram um caminho bem mais inteligente. A esquerda, que tremia diante de uma vitória de Serra e o ascenso religioso, vê atônita uma onda conservadora avassaladora diante do poder de fundamentalistas sobre decisões do Governo do PT.

Um espaço de poder político é algo muito mais perene do que se imagina e uma simples eleição não tem força suficiente para destituir aqueles que se petrificam no alto. Isso é facilitado pela tradição de formação de “centrões”, que perpetuam não só múmias do poder, como grupos políticos. A conquista de um maior espaço e uma vantagem em termos de negociação, constitui uma forte base para empreitadas maiores posteriores. A partir daí, a escolha certeira de qualquer líder carismático conservador como candidato será apenas a conclusão de um processo muito mais sofisticado.  Tudo isso é movido, entre outras coisas, pela ilusão do PT de que está levando grande vantagem em sua conciliação. A história dirá.

Gabriel de Barcelos

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  1. A história não precisa dizer nada, basta apenas olhar para outros exemplos históricos do passado e de hoje. Aliança com bandido krent só tende a dar merda e VAI dar merda.

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  2. filho, tenho tanto orgulho de vc!!!…

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