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50 anos do comício da Central do Brasil: o que restou de nossos sonhos?

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comicio

Há exatos 50 anos, o Presidente João Goulart discursava na Central do Brasil, no Rio, para cerca de 150 mil pessoas. Lá anunciava as Reformas de Base, exigidas pelas bandeiras hasteadas: Reforma Agrária; a Reforma Universitária; a Reforma Eleitoral (que garantia a todos os brasileiros, acima de 18 anos, independente de renda ou escolaridade, votarem) e a regulamentação dos preços abusivos do setor imobiliário. Junto a isso, desenvolvia-se um projeto de alfabetização do povo, baseado no método crítico e politizador de Paulo Freire.

“Essa Constituição é antiquada, porque legaliza uma estrutura sócio-econômica já superada, injusta e desumana; o povo quer que se amplie a democracia e que se ponha fim aos privilégios de uma minoria”, afirmava Jango em seu discurso, anunciando o que pretendia mudar.

Contra seus detratores, que se articulavam em um golpe, bradava: “Chegou-se a proclamar, até, que esta concentração seria um ato atentatório ao regime democrático, como se no Brasil a reação ainda fosse a dona da democracia, e a proprietária das praças e das ruas. Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas.” (…) “Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reinvindicações.”

O que aconteceu depois é história: um golpe de Estado que retirou do poder um presidente eleito e um período ditatorial que duraria mais de 20 anos. Muitos lutaram, foram presos, torturados e mortos para que o país voltasse à democracia. Mas o projeto popular para o país, mesmo que reformista, foi derrotado até os dias de hoje. Quando um partido historicamente de esquerda só chega ao poder com as condições impostas pelo poderio econômico, nos perguntamos: o que sobrou naqueles sonhos?

Mas, felizmente, daquelas mesmas ruas e praças a que se referia Jango, renasce uma força que grita por mudanças sociais radicais no país. Essa voz não poderá ser calada.. mesmo que a força do arbítrio, da repressão e do interesse de alguns poucos insista em manter as coisas como estão, de uma ordem estabelecida que se impôs em 64, se impõe hoje, como nos 500 anos de explorações e opressões da história de nosso país.

Discurso de Jango, em vídeo e na íntegra do texto:

 

http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-discurso-de-Jango-no-comicio-da-Central-do-Brasil%0D%0A/4/16826

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