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O “eu” (centro) e a periferia

Tuca Vieira
 
“Desde a ociosa reflexão de Descartes, a teoria de cima insiste na primazia da ideia sobre a matéria. O ‘penso logo existe’ definia também um centro, o ‘eu’ individual, e o outro como uma periferia que se via afetada pela percepção desse ‘eu’: afeto, ódio, medo, atração, repulsa. (…)” 

(Subcomantente Insurgente Marcos. Trecho retirado de Nem o centro nem a periferia: sobre cores, calendários e geografias)

Lembro dessa citação , ao ler a maioria dos trabalhos sobre o audiovisual popular (tema de minha pesquisa). Me parece que, dentro dos estudos de cinema (assim como em outros estudos da área de artes e cultura), o que é produzido pelos movimentos populares é sempre visto como a “voz do outro”. Essa visão pressupõe a existência de um “centro”, ou um “sujeito central” e outro que é a “periferia”, “o outro”. E a posição desse outro, é colocada à margem, de forma decorativa e dócil, mantendo sempre a prioridade de um “centro” enunciador dos discursos.

 
Gabriel de Barcelos
 
Foto: Tuca Vieira (Bairro Paraisópolis)

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