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Cotas na Unicamp

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Hoje colocamos no ar o blog da Frente Pró-Cotas da Unicamp.

http://cotasunicamp.wordpress.com/

Será um importante espaço de divulgação e organização da luta por cotas. Veja o texto sobre o grupo:

“Este blog foi criado para reunir informações e divulgar a Frente Pró-Cotas da Unicamp. O grupo foi formado a partir de discussões iniciadas no Centro Acadêmico da Linguagem (CAL), no evento CALfé com Raça, no dia 12 de junho. O debate prosseguiu numa reunião realizada na Arcádia do IEL (Instituto de Estudos da Linguagem- Unicamp), no dia 30 de julho.

Acreditamos que a luta por políticas afirmativas é necessária e é um debate central no país. Como reação à pequena presença dos negros e pobres nas universidades públicas, diferentes instituições vêm adotando, ao longo dos últimos anos, cotas raciais e sociais em seus processos de seleção. Junto a isso, no Congresso tramita um Projeto de Lei que garante metade das vagas para alunos de escolas públicas, preferencialmente negros. Se fora aprovado, as vagas para cotistas dobrarão, e passarão para mais de 122 mil.  E, como acontecimento mais recente e importante, o Supremo Tribunal decidiu unanimemente, em votação histórica, pela constitucionalidade das cotas raciais. Os votos dos ministros trazem a legitimidade jurídica e chamam a atenção para a importância de acabar com a estrutura racista presente na sociedade brasileira. O ministro Celso de Mello afirmou que “uma sociedade que tolera práticas discriminatórias não pode qualificar-se como democrática”. Já o presidente do STF Ayres Brito disse que “os erros de uma geração podem ser revistos pela geração seguinte e é isto que está sendo feito”. Para ele “o preconceito, quando se generaliza e persiste no tempo, como é o caso do Brasil, por diversos séculos, vai fazer parte das relações sociais de bases que definem o caráter de uma sociedade”.

No Estado de São Paulo, também há avanços. A Congregação da Faculdade de Direito da USP recomendou ao Conselho Universitário que aprove a inclusão de cotas raciais no processo de ingresso. Infelizmente, o tema não foi incluído na pauta da reunião. Além disso, estudantes e movimentos sociais vêm se organizando por essa luta através de uma Frente Pró-Cotas Raciais da Usp, conseguindo a realização de uma Audiência Pública na Assembléia Legislativa, com o tema “Cotas raciais na universidades públicas de São Paulo”, (realizada no dai 22 de maio).

A Unicamp não pode se isolar destas transformações que vêm ocorrendo. A universidade de Campinas tem uma profunda exclusão social e racial, como pode ser visto nos dados sócio-econômicos do seu vestibular. É adotado, por ela, no vestibular, o PAAIS (Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social), um sistema de bonificação para alunos negros, pardos, indígenas e de escola pública. Porém, o programa é profundamente deficitário e não existe nenhuma reserva de vagas. Como pode ser observado no perfil dos alunos ingressantes, continua a exclusão e o elitismo da universidade. Desta forma, a Unicamp vai contra a maré dos processos de transformação no ingresso de alunos no ensino superior.

As cotas raciais e sociais são necessárias para proporcionar, dentro da universidade, a mesma diversidade presente fora dela. Segundo os dados do IBGE, os negros são mais da metade da população. Se olharmos os alunos matriculados em 2012 na Unicamp, veremos 2,8% que se declaram de cor preta, 12, 3% pardos e 0,2% indígenas. Evidentemente não há sentido que uma universidade pública, paga com o dinheiro dos trabalhadores, sirva a apenas uma pequena parte da população. Também não podemos afirmar que os estudantes de escolas particulares e escolas públicas estão em pé de igualdade ao tentar uma vaga. Além do ensino precário, estudantes negros e pobres enfrentam muito mais dificuldades de formação em sua trajetória, sendo excluídos, social e culturalmente, da opção de entrar no ensino superior. E isso acaba redundando em mais distorções em termos de oportunidades de trabalho. Além disso, os movimentos sociais cobram uma reparação histórica dos negros no Brasil, que passaram pelo crime da escravidão e foram sistematicamente excluídos da participação efetiva dentro da sociedade.

Ao longo deste blog, traremos mais argumentos e informações. Pedimos, agora, a todo mundo interessado nesta causa, que se junte a nós. Discutiremos melhor o tema, tiraremos diretrizes, pensaremos em atos e eventos, além de elaborar uma proposta concreta para a Unicamp.

Próxima reunião- Dia 10 de agosto (sexta-feira), 14h30, na Arcádia do IEL (mesinhas). Esperamos você lá!” 

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