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(em construção….)

Cambaio

Caipã

Corropó

Canabrava

Morro da Favela

da planta espinhenta e tinhosa

todos eles na vazante do Rio Vaza-Barris

Bahia, onde sertanejos, ex-escravos (atuais famintos)

em busca do seu Eldorado, fugindo da miséria

seguiam o profeta Antônio Conselheiro.

iam para Canudos

não eram aqueles canudos que bóiam em refrigerantes, nas casas coloridas com palhaços de cabelo vermelho. Eram Canudos-de-Pito, planta usada para os cabra pitá sua fumaça, descansar do

desespero desgracento,

da desesperança.

era a terra prometida, bandas onde o Conselheiro já havia passado e construído Igreja.

ele achou por bem chamar de Bello Monte.

Bello Monte não tinha polícia nem patrão, imposto ou imposição,

a terra era toda coletiva

feita de trabalho, não de morte.

e assim foi chegando gente viva

e assim o povo foi ficando forte.

Mas vou falar uma coisa sobre os poderosos:

não é trovão nem tempestade

morte, doença ou qualquer arbitrariedade…

se tem uma coisa

uma só coisa..

que incomoda eles…

é a tal da liberdade.

e assim foi feito.

o governo juntou soldado e jagunço

e foi lá para acabar com Bello Monte.

Mas o povo fez suas trincheiras e ergueu suas armas

manteve-se em pé com bravura e coragem, até à morte

resistindo à primeira, à segunda e à terceira expedição.

mas na quarta vez, o ataque foi brutal

e a força dos de cima derrubou aqueles que tinham a liberdade como munição.

cabeças se espalhavam no chão, outras viravam prêmio.

era gente que lutava para ser gente

fincados no sertão

gente que lutou até o último braço levantado,

onde agora só tinha pó

e nada mais

*

Terminada a guerra

os soldados voltaram para o Rio de Janeiro

pobres, pardos, pretos

como os irmãos que eles mataram.

mas o Governo maldito

esse mesmo da vida dada, roubada

não pagou o soldo devido.

eles eram agora

opressores miseráveis

assassinos expropriados.

Sem ter onde viver, ocuparam um morro parecido com o Morro da Favela, de Canudos.

e assim ele foi batizado: outro Morro da Favela

E foi chegando gente

subindo casa

contando a outra história da cidade

a história que não tinha marquês ou fidalgo

sem gente que dá nome de rua (mas que fez a calçada)

faz a cidade, seus alicerces e sua música

que sofreu, chorou…

de amor e fome.

Mas sem ter chance de viver, crescer digna

o Morro da  Favela voltou a ver guerra, pólvora

e, novamente,

os chefes da guerra não morreram

não lutaram

estavam longe.

*

E os homens do poder

instalaram a tirania

mataram

torturaram

tiraram unhas

arrancaram vozes

estupraram corpos

violaram honras,

prenderam gritos.

e falaram que o país ia para frente

o povo não entendeu e não quis olhar para trás, nem para frente

só para baixo, rumo ao trabalho, ou procurando por um.

não sabiam o que era o tal progresso

se no Morro da Favela não tinha água, escola, comida.

e  os de cima fizeram seu projeto “pra frente”

concentraram as terras, tiraram trabalhador pra pôr máquina, pararam de plantar comida

jogaram veneno na terra

e o povo ficou sem trabalho,

foi embora

e também fizeram hidrelétrica

quem plantava, morava, vivia, teve que sair

e quem morava lá perto nada viu

Dona Luzia, às Margens do Tucuruí, não tem luz em casa (pergunta pra ela)

Os ditadores prometeram terras e trabalho na Amazônia,

pura ilusão…

índio, camponês, pescador, mineirador, extrativista… trabalhadores

sem-terra

sem reserva

atingidos por barragens

favelados

hoje

escravos, na mão dos coronéis

ou de baixo de uma barraca de lona preta

num barraco da Favela

ou na rua.

migrando,

sempre,

atrás do que não virá.

*

Mas vejam vocês

se eles tomaram a vida, o trabalho, a diginidade

não estavam satisfeitos

Tinham que tomar até mesmo o sonho,

a terra prometida.

E assim fizeram:

os ditadores batizaram Belo Monte seu maior projeto de destruição.

se antes era o Rio Vaza-Barris

agora é o Rio Xingu

onde no Pará vivem índios em suas reservas

pescadores ribeirinhos

agricultores

e o povo da cidade de Altamira.

trinta mil vidas que vão ser destruídas.

E veio a tal da democracia

30 anos se passaram

mas Belo Monte ameaça, mais feroz

avança na mídia,

na boca dos empresários

e num governo que se diz dos trabalhadores.

Belo Monstro ameaça

Besta Fera

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