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Crônicas do Sessão

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Lembrando as crônicas publicadas por aqui, desde quando comecei esta história, (com o primeiro parágrafo de cada uma- clique no título)

A dança

Ele tem seus 65 anos, mestiço, de um tom de pele indiano. Baixinho, magrinho, simpático e feliz. A cachaça o acompanha desde as boas boemias da juventude, assim como o espesso bigode, que hoje é grisalho. Aposentado, vive a conversar com seus grandes amigos de copo: aposentados, pedreiros, operários e alguns vagabundos. Se eu passo de manhã para comprar pão, bem cedo, lá está ele no bar ao lado, na sua profissão de fé. Chegou agora, será? Ou será que essa é apenas a continuação de mais uma noite de bebedeira?

O bicho e a celebridade

Aquilo estava lá, em frente a ela. O que era? Era meio verde, meio cinza e se mexia. Em que classificação poderia se encaixar aquele bicho horrendo? Mas analisar aquela terrível criatura, ver suas gosmas, seus tentáculos, suas anteninhas, não era o pior. O pior agora era imaginar que aquilo estava em um prato e seria a próxima refeição dela.

Silas em São Dimas de Dentro (parte 1)

Silas é um bom homem. Funcionário público, é correto, trata todos bem no trabalho, apesar de não manter grandes intimidades ou amizades. Mora sozinho, numa quitinete que alugou mobiliada.

Silas em São Dimas de Dentro (parte 2)

Silas acorda. Ainda está meio tonto e não lembra direito onde está, o que está fazendo e por que está fazendo. Na verdade sonhava segundos atrás. Ele estava numa bela cerimônia, onde todos trajavam black tie. Os vestidos longos e as jóias das damas eram belíssimos! Todos sentavam-se em mesas e um senhor com voz grave estava ao microfone. Ele falava sobre a importância do Prêmio Nobel. Peraí! Estamos na entrega do Nobel de Literatura! E acho que serei o vencedor! O primeiro vencedor, por minhas memórias mineiras. Estou pronto para receber. Quanta honra! Que realização! Mas quem é aquele que está subindo para receber? Quem é este? É o Thiaguinho, aquele menino que me batia e era o mais burro da sala? Meu Deus! Como isso é possível! Parabéns a Thiago das Neves, o primeiro brasileiro a vencer um Nobel! Não! Isso não é possível!

O semestre

Lá fora dava para ouvir o ti-ti-ti. Mas era tanta gente falando coisas diferentes, que Felipe não ouvia nada, apenas algumas palavras soltas. A sala possuía um infernal ar-condicionado barulhento, extremamente frio, deixando o ar seco e difícil de respirar. Lá tudo estava meio bagunçado, com folhas, jornais e fichas. Na parede a bandeira do Brasil, brasões e fotos da corporação.

Dante vencendo montanhas

Existem muitos obstáculos no seu caminho? A caminhada parece ser cada vez mais longa? Você tem como meta chegar ao ponto mais alto? Subir, cada vez mais? Venha, então, ao auditório do Hotel Monaco,às 16 horas deste domingo. Lá poderá presenciar a palestra “Vencendo Montanhas”, do famoso montanhista Dante Medeiros, aquele que conquistou alguns dos cumes mais altos do mundo. O esportista estará lançando o livro, de mesmo nome, e explicará aos presentes alguns dos pontos básicos para se alcançar o sucesso, vencer os objetivos e alçar vôos mais altos. Tudo baseado em suas experiências, no limite da morte, em perigosas subidas. Escolha entre continuar na base da montanha ou começar a escalada rumo à felicidade! Não perca esta oportunidade!

A maleta de couro

Dentro da pequena cidade em que morava, sua figura se destacava. Mesmo com o calor seco e a eterna sensação de abafamento lá estava ele, com seu grosso e elegante terno preto e os sapatos eficientemente polidos. Um senhor de seus 65 anos, de leves gestos e andar cuidadoso. Seus parcos cabelos lisos estavam sempre bem penteados e pintados de castanho. Os óculos grandes, de aros dourados, completavam o figurino.

Maria do Socorro e Roberto sentados no bar

Eles se amaram muito, não há dúvida, e, de certa forma, ainda se amam. Maria do Socorro e Roberto estão sentados no bar daquele fim de domingo. Quando olho para eles, a primeira coisa que me lembro é da pintura de Degas. Mas é só permanecer mais um pouco para entender que se trata de algo bem diferente. Ao contrário daquele casal entorpecido pelo absinto, no século XIX, não vejo a tristeza profunda nos olhos destes dois sentados no Bar do Pedrão. Infelizmente, o sentimento parece um pouco pior, algo como uma indiferença em relação ao cônjuge e em relação ao mundo. Eles ficam mudos, trocando umas seis palavras a cada cinco minutos, raramente com a coincidência do olhar.

Uma resposta »

  1. Sigo lendo! 🙂 Te linkei lá no passarin… abraços, jeff

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